Postado por: Rubens Ennes domingo, abril 16


Nem precisa procurar muito. Numa rápida olhada ao nosso redor, já é possível perceber a inclinação que existe no comportamento humano para o que é mal ou negativo. Por exemplo, ninguém fica à vontade quando se está em um lugar diferente na presença de pessoas desconhecidas, no entanto, a solução mais “eficaz” encontrada pela maioria das pessoas para quebrar o gelo e fugir do embaraço é bem simples, basta reclamar de alguma coisa. Se estiver na fila do caixa no supermercado, reclame dos preços da carne, do tomate, do leite ou do feijão. Caso você esteja no ponto de ônibus, reclame do calor, do frio ou da demora do transporte coletivo. Pronto, isso já deve ser o suficiente para gerar pelo menos uma afinidade com alguém que você nunca viu na vida.

Ter uma rápida conversa com alguém, nem se compara ao convívio diário com uma pessoa que nunca está satisfeita com nada. É penoso conviver com alguém assim. Sem a gente perceber, a reclamação pode se tornar um hábito. Um hábito feio e perigoso. É verdade que não temos que aceitar tudo como normal, mas, existe diferença entre rejeitarmos uma injustiça e andarmos permanentemente em estado de amargura e insatisfação contra tudo e todos.

Nossas reclamações estão diretamente ligadas a quem somos e dizem muito a respeito da natureza egoísta e orgulhosa que há no homem. (Mt 12.34) Quando vivo a reclamar, mostro que para mim o que importa é apenas o que EU sinto, o que EU penso, e o MEU jeito de ser e fazer as coisas. Se algo não é feito da maneira que EU idealizei ou da maneira que EU entendo que tem que ser feito, reclamo. Se EU não sou tratado como acho que devo ser tratado, murmuro. Se uma responsabilidade é concedida a alguém que EU me considero mais capaz e penso que se estivesse naquele lugar faria muito melhor, reclamo.

"Fazei tudo sem murmurações nem contendas" (Fp 2.14)

Nas igrejas, a murmuração não costuma acontecer de forma pública, ninguém quer correr o risco de comprometer sua imagem de homem ou mulher de Deus. Entre os irmãos de fé, a murmuração pode aparecer na forma de crítica, desabafo ou contestação, mas, disfarçada de sinceridade. (1 Co 15.33Das duas, uma. Ou a pessoa fica balbuciando pelos cantos suas lamúrias, ou encontra (e sempre encontra) outra alma “reclamona” que vai ouvi-la e que também irá expor suas queixas num compartilhamento recíproco dos azedumes do coração. Claro, tudo sob a justificativa de ser apenas alguém que prima pelo correto ou que zela pelos bons costumes.

Se por um lado, existem pessoas omissas e relapsas que vivem a fugir de suas responsabilidades, por tanto, fazem valer a crítica recebida; por outro lado, há pessoas que sempre procuram fazer o seu melhor em tudo, são dedicadas e caprichosas, mas, que apagam o brilho, a beleza e o valor do que fizeram com tanta excelência, quando cumprem suas tarefas murmurando e reclamando de quem nada faz ou de quem não faz como ela faz.

Tudo o que realizamos de positivo pode estar sendo jogado no lixo quando permitimos que um comportamento tão maligno como a murmuração seja companheiro de nossas boas obras. Podemos ter um desempenho exemplar em nossas tarefas e ao mesmo tempo sermos reprovados diante de Deus pela amargura que deixamos criar raiz em nosso coração. (Hb 12.15) 

A melhor alternativa em meio à insatisfação da alma está na substituição do vício em reclamação pelo exercício da oração. (Pv 18.20)









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