Postado por: Rubens Ennes quinta-feira, janeiro 19


“Não julgueis!”, quem nunca ouviu esta sentença? É muito comum a pessoa que tem uma conduta errada ou um modo de vida inconveniente, usar em sua própria defesa este versículo para encerrar o assunto, não ser repreendida e nem ter que dar satisfação pela que vida que leva. A pessoa se defende atacando, definindo como errados os que reprovam sua conduta por estarem a julgando, sendo que com isto, ela mesma também está fazendo um julgamento. Percebe a incoerência que caímos quando logo reprovamos quem nos contesta?

Será que percebendo uma conduta imoral ou desrespeitosa, não podemos nos posicionar a respeito? Será que temos que nos calar diante de atitudes injustas e absurdas? Não é isso que o Senhor Jesus afirma.

Sobre nós cristãos julgarmos comportamentos e acontecimentos, a palavra diz:
"Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!" (1 Co 6.2-3)
Juntos do nosso Senhor, os salvos irão julgar o mundo e até mesmo os próprios anjos. Se algo tão grandioso estará sobre o nosso poder de julgamento, porque não poderíamos julgar as coisas mínimas? A Palavra nos concede este direito.

Vamos entender melhor o que significa o “não julgueis”, analisando o contexto em que foi proferido:
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão”.  (Mt 7.1-5)
O risco de se cometer uma grande injustiça é enorme quando expressamos nossa opinião considerando somente o nosso ponto de vista. O Senhor Jesus estava nos alertando do perigo de emitirmos um parecer sem olhar o todo. Ele está condenando o modo egoísta, parcial e hipócrita de se julgar. Egoísta e parcial porque não procura ver todos os lados, não se coloca no lugar da pessoa que falhou e se vale apenas do próprio conceito; e hipócrita porque se acha no direito de apontar o erro alheio, enquanto, não reconhece e nem corrige os seus próprios.

No evangelho de João nós encontramos o seguinte verso: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.” (Jo 7.24)

Veja que a proibição não está no efetuar julgamentos, mas, na maneira com que o julgamento é conduzido e no critério que utilizamos para aplicá-lo. Nosso julgamento nunca pode ser feito por aquilo que vemos num primeiro momento, mas, segundo o padrão de Deus, segundo os olhos de Deus. Do contrário, o tiro pode acabar saindo pela culatra!

Digo isto, porque o Senhor Jesus está nos lembrando de que todos nós temos do que se envergonhar e se o nosso telhado também é de vidro, não é prudente tripudiar sobre os erros das outras pessoas. Estamos sendo avisados que o arrogante critério que usamos não ficará impune e se voltará contra nós.  Você se lembra da expressão “quem fala o que quer, houve o que não quer”? Pois então, podemos até insistir em tratar o cônjuge, os filhos, o funcionário ou um irmão na fé da maneira que bem entendemos, mas, é muito provável que qualquer dia desses, sejamos surpreendidos com um tratamento nada gentil, um tratamento que não gostaríamos de receber.

Voltando ao capítulo 7 de Mateus, encontramos o seguinte conselho: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas." (Mt 7.12).

Quando os religiosos defensores da moral e dos bons costumes vieram armados com as pedras da condenação, o Senhor Jesus os convidou a olharem para dentro de si mesmos antes que executassem aquela sentença de morte sobre aquela mulher. Se existe em nós a intenção ajudar alguém a superar um problema, ou mesmo, a se aproximar de Deus, o Mestre recomenda que façamos primeiro um autoexame. Quando colocamos a mão na consciência e percebemos os nossos erros, a trave em nosso olho; habilitamos-nos a ajudar nosso próximo, pois, com olhar de misericórdia, conseguimos nos colocar no lugar daquela pessoa que falhou.



Muitos pais tendem a endurecer o tratamento com seus filhos à medida que não se tornaram aquilo que idealizaram, sem procurarem saber o porquê que o filho está tendo aquele tipo de comportamento. Diante dos erros, chegam com o carimbo condenatório do “você está errado, então, cale a boca!” ou do “enquanto viver sob o meu teto, terá que ser do meu jeito”, ou ainda, “por sua culpa, nossa família ficará mal falada”.  Condenar não é ajudar. Não é diferente do que acontece em muitos relacionamentos quando se tenta mudar o cônjuge a força, na base de críticas e depreciação. A intenção em ambos os casos pode até ser boa, o objetivo é colocar os pingos nos “is” e resolver o inconveniente, mas, a atitude equivocada cria um atrito e um mal estar desnecessário, ao passo em que afasta cada vez mais as pessoas que amamos de nós.

Acontece que desenvolvemos resistência a quem não demonstra se importar conosco. Por que se importar com o que diz os que parecem só saber criticar os nossos defeitos e que nunca reconhecem nossos acertos? Por isto, que o recomendável na hora de ter uma conversa necessária no ambiente de trabalho ou familiar é iniciar o diálogo reconhecendo os acertos e citando as qualidades, para que fique claro para pessoa que o nosso objetivo não é querer mostrar que sabemos mais, que somos melhores ou que somente nós é que estamos certos. Fazendo assim, não nos colocamos em um nível acima da pessoa como se fossemos superiores, mas, evidenciamos que nos importamos com ela e que só queremos o seu bem.

Não estamos sendo proibidos de disciplinar, corrigir ou repreender e nem de condenar um determinado comportamento que é errado de fato. Estamos aprendendo com o Mestre que antes de fazermos o que precisa ser feito, devemos atentar em como isto será feito.

Como você acha que seriam os relacionamentos, as famílias ou a sociedade se as pessoas ao invés de impulsivas e precipitadas, buscassem ser mais sabias e prudentes em seus julgamentos e ações?









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