Postado por: Rubens Ennes quinta-feira, janeiro 15




Mendigos são inconvenientes.
Embora, poucos tenham coragem para admitir, moradores de rua são vistos como verdadeiras ameaças ao nosso mundinho perfeito e colorido. Eles enfeiam nossas cidades, sujam as nossas ruas, ocupam as nossas calçadas, e até tomam o nosso tempo e estragam o nosso dia. Afinal, porque eles tinham que existir?

A presença deles nos incomoda porque nos desmascara e mostra que somos tão incompetentes que construímos ao longo de nossa existência sistemas que fracassaram. Recebemos um mundo verdadeiramente perfeito, com manual de instruções e tudo, e o que fizemos? Nos superamos em maldade, conseguindo tornar o meio que vivemos pior a cada dia.

Nossa sociedade é o espelho do que o homem é em sua essência, ou seja, mal. Mal ao ponto de não reconhecer a própria culpa e de ignorar o sofrimento alheio; ao mesmo tempo em que deseja que o indesejado, seja este, o problema familiar, a crise no relacionamento, as dívidas, os quilos a mais ou mesmo um pobre morador de rua, desapareça de forma mágica e instantânea, de preferência com pouco ou nenhum esforço.

E nós cristãos, embora devêssemos, não somos exceção à regra. Recentemente, presenciei esta realidade perturbadora dentro da igreja enquanto um grupo teatral do FJU (Força Jovem Universal) apresentava a peça “A Igreja Adormecida”; nela, pessoas perdidas pedem desesperadamente ajuda à uma igreja egoísta e acomodada.

Mas, o que me chamou atenção foi o que aconteceu nos “bastidores” quando um obreiro da Universal em nossa cidade integrante da peça, vestiu-se de seu personagem, um mendigo e com suas roupas sujas e rasgadas e uma coberta velha e encardida sobre os ombros chegou quinze minutos antes do culto começar e se sentou em uma das confortáveis poltronas da igreja. Centenas de pessoas foram chegando e ninguém sentou ao seu lado, ninguém o cumprimentou, ninguém o procurou para conversar, saber se estava bem ou se precisava de alguma coisa. Pelo contrário, na fileira de aproximadamente dez poltronas em que estava sentado, apenas duas senhoras tiveram a “coragem” de sentar, e ainda assim, na outra extremidade, para não correr qualquer risco.

Pedro Lucas, obreiro da Universal em Carazinho/RS

Talvez, você fizesse diferente, digo talvez porque na teoria sempre é fácil afirma alguma coisa. O interessante é que durante a peça, o nosso mendigo se levantou no meio do povo e disparou: “vocês têm medo de mim? Não precisa ter medo de mim, eu não vim aqui roubar vocês. Eu só não tive a oportunidade que vocês tiveram.” Foi um senhor tapa na cara, aliás, a peça inteira é um choque de realidade.

Voltando a frase inicial, mendigos também são inconvenientes a nós cristãos, porque revelam que a nossa tão proclamada bondade não é tão boa assim. Ou você nunca se sentiu incomodado ao ser abordado por um pedinte? Como conseguimos ficar com a consciência limpa, se não vemos a hora de nos livrar de um morador de rua que vem ao nosso encontro? E como será a nossa próxima oração? Iremos dizer a Deus que O amamos, mesmo que em nosso dia-a-dia fingimos que aquela alma aflita não está ali?

Não estou falando sobre acolher um desconhecido dentro de sua própria casa, oferecer moradia é função do Estado, o problema é que as vezes, não fazemos nem o mínimo que está ao nosso alcance fazer. A palavra “inconveniente” pode ser definida como aquilo que é sem proveito ou desvantajoso. E é neste ponto que nossa maldade é evidenciada, mendigos são inconvenientes porque não é interessante fazer qualquer tipo de benfeitoria a alguém que não pode nos dar algo em troca e nem nos proporcionar lucro ou benefício algum.

"Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso.” (Lucas 6.32-33)


Apesar da bondade ser fruto do Espírito Santo, não há garantia de salvação para uma pessoa apenas por ela ser generosa, pois, nunca conseguiríamos sermos bons o suficiente para alcançar salvação; entretanto, se somos avarentos e egoístas é certo que não haverá lugar no Reino de Deus para nós. Ainda bem que Ele é “benigno até para com os ingratos e maus." (Lucas 6.35), e nos dá oportunidade de arrependimento e salvação.










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