Postado por: Rubens Ennes quarta-feira, maio 21





Assistindo o vídeo acima, lembrei de um artigo que li alguns dias atrás. O artigo é de autoria do escritor Maurício Zágari e abaixo, compartilho um trecho com você.

Quem gosta de ficar entediado? Quem gosta de passar horas sem nada o que fazer? É muito melhor ter algo com o que ocupar a mente enquanto se espera o avião chegar. Na verdade, enquanto se espera por qualquer coisa, pois tédio não é exclusividade de aeroportos. No trajeto do ônibus até o trabalho, na fila do supermercado, na sala de espera do médico… as ocasiões em que o tédio se manifesta não têm limites. Surgem a qualquer momento e por todo lado. E se antigamente o não-ter-nada-o-que-fazer nos proporcionava como única alternativa passar o tempo pensando ou no máximo lendo um livro ou fazendo palavras cruzadas, agora temos ao nosso dispor bugigangas eletrônicas de todos os tipos, tamanhos e formatos, com uma infinidade de softwares e aplicativos, que chegaram para ocupar nossa mente, enxotar o tédio e nos livrar da penosa e irritante atividade que é pensar.
Epa. Percebeu algo estranho no que acabou de ler? Não? Então permita-me chamar a atenção: eu disse “penosa e irritante atividade que é pensar”.  Este é um fenômeno de nossos tempos: consideramos que “pensar” é sinônimo de “não ter nada o que fazer” e, portanto, é algo chato e incômodo. Logo, se não nos entretivermos e “apenas” ficarmos pensando, acabamos descontentes. A consequência? Temos procurado tão desesperadamente dar tarefas ao nosso cérebro que está sobrando muito menos tempo para a reflexão – estamos pensando incomparavelmente menos. Alguns anos atrás podíamos dedicar nossos momentos de espera e ócio à reflexão, a pensamentos sobre a vida, à análise de fatos e ideias, a muitas coisas importantes que exigem a nossa meditação – exigem cérebros direcionados exclusivamente para o pensamento. Os momentos de tédio nos davam espaço para devotar nossa mente não apenas a se ocupar, mas a elaborar. A ponderar. A investir tempo no questionamento. Isso nos permitia ser pessoas mais críticas, reflexivas, analíticas, criativas e inovadoras. Pois tínhamos tempo ocioso para fazer mais do que absorver informações: conseguíamos processá-las, pô-la sob os holofotes e examinar seus muitos ângulos, com cuidado e bastante reflexão. Mas, se “nos livramos da penosa e irritante atividade que é pensar”, estamos nos tornando seres que não pensam . Logo, aceitaremos tudo o que nos é apresentado como verdade, pois não teremos mais o hábito de parar e questionar: “Será verdade mesmo?”.
Assim, vemos que espantar o tédio é ótimo, mas pensar menos é uma tragédia. Em especial para o cristão.  - Maurício Zágari

Não viva sem um propósito. Defina bem as suas prioridades e faça um bom uso do seu tempo.






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