Postado por: Rubens Ennes terça-feira, novembro 12




Para Josué, a morte de Moisés representou muito mais que a perda de um líder. Ele estava desanimado porque acabara de perder alguém que respeitava, admirava e até mesmo se espelhava. As perdas tem este “poder”, elas mechem com a gente e quanto maior for a perda, maior será o impacto causado por ela em nossa vida.

O abatimento era tanto que foi preciso um choque de realidade para que Josué reagisse: “Moisés, meu servo, é morto; dispõe-te, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel.” (Js 1.2).  Apesar de ter sentido aquele duro golpe, era preciso se levantar. Ficar prostrado só pioraria as coisas para o próprio Josué. Assim como a “vez” de Moisés havia passado, a dele poderia também passar sem ao menos ter começado. Acredito que se fosse preciso, Calebe estaria pronto para assumir aquele posto de liderança e espírito para isso nós sabemos que ele tinha! Mas, teorias a parte, o fato é que ninguém é insubstituível.

Deus nos chama para um propósito, investe na gente e é capaz até de insistir conosco, mas, se depois de tudo isto, não correspondermos, Ele irá levantar outra pessoa. Foi assim com os hebreus que haviam sido libertos das humilhações no Egito. Eles saíram da escravidão para serem donos de grandes e prósperas terras, mas, acabaram morrendo no deserto porque endureceram o coração para o Senhor. Por isso, o nosso Deus esperou surgir uma nova geração para nela cumprir todo o Seu propósito.

Queremos que o nosso “time” ganhe todas as partidas e isto é o que nos motiva a trabalhar muito para que o progresso e as vitórias sejam uma constante em nossa vida. Mas, existe uma coisa que talvez nunca lhe contaram: perder nem sempre é sinônimo de algo ruim. É claro que ninguém planeja passar por este tipo de experiência, elas simplesmente acontecem.

Considero progressão tudo aquilo que nos deixa mais próximo dos nossos objetivos. Só que a ideia que a maioria das pessoas tem a respeito de progresso é equivocada, pois imaginam uma vida onde tudo sai conforme o planejado e que se algo não está funcionando, então devemos apenas insistir até as coisas começarem a dar certo. Mas na prática não é tão simples assim! E se estivermos indo na direção contrária? E se estivermos lutando da forma errada? Não há nada de positivo em viver dando murros em ponta de faca, perdendo tempo e oportunidades. É justamente neste ponto que as perdas tornam-se importantes para que o verdadeiro progresso aconteça e oportunidades novas e maiores possam surgir.

Conheço pessoas fiéis que perderam o emprego injustamente e quem num primeiro momento ficaram abatidas, mas jamais jogaram a tolha. E ao contrário do que seus conhecidos imaginavam, aquela perda que sofreram provocou um despertar do próprio potencial de cada um. Algumas destas pessoas partiram em busca de cargos mais elevados no mercado de trabalho e foram bem sucedidas, enquanto outras puderam finalmente descobrir e desenvolver o próprio talento, o que possibilitou voos maiores. Se aquela perda não tivesse acontecido, estariam ainda estagnados naquele empreguinho sem futuro.

Já no âmbito espiritual, as perdas são ainda mais necessárias, pois são elas que nos quebrantam e nos fazem enxergar que não somos autossuficientes. Assim como ninguém decide procurar um médico porque está sentindo-se bem, ninguém se lembra de buscar a Deus enquanto estiver somente “ganhando”. (Sl 119.71)

Uma vez quebrantado, e agora conhecedor da Verdade, chega a hora de perdermos por opção. Uma perda voluntária que o apostolo Paulo entendeu e vivenciou: "Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele." (Filipenses 3.7-8).

Tudo aquilo que somos capazes de fazer para agradar a Deus é considerado como perda aos olhos deste mundo. O Senhor Jesus afirmou que terá a vida eterna, aquele que sacrifica até os seus próprios interesses por causa Dele. (Mt 16.25) Na realidade, esta perda voluntária é o maior e melhor investimento que alguém pode fazer, pois, se está trocando o efêmero por algo infinitamente superior.  

E você, está pronto para perder?


Pr. Rubens Ennes 






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