Postado por: Beatriz Lima sábado, abril 20








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Ele me ensinou a confiar somente nele, não confiava em ninguém e ninguém confiava em mim. Sentia muito ódio da minha mãe, pois no momento que mais precisei dela não pude contar, e dos meus irmãos também trazia um sentimento de muita raiva,  cheguei ao ponto de ficar sem falar com um deles durante um ano inteiro, e não era uma simples raiva, mas um ódio tão grande que tinha sede do sangue deles.

Devido a problemas financeiros minha família se envolveu no mundo das drogas, e vivendo neste meio, admirava meu pai em tudo que fazia, queria ser traficante como ele, esse era meu outro sonho, depois comecei a beber e usar drogas. Vivíamos um verdadeiro inferno. Meu pai agredia a gente até tirar sangue e mesmo assim queria ser como ele, era o meu herói, minha vida. Quando minha mãe me batia, eu pensava: eu vou crescer e ela vai pagar, porque eu vou matar ela aos poucos.


Tinha prazer no sofrimento dos outros, um exemplo foi quando eu presenciei um acidente perto de casa, um muro de um edifício caiu e soterrou uma pessoa, e a minha reação foi rir de alegria, tinha prazer de ver a pessoa morrer, queria que todas as crianças passassem tudo o que eu vivia, e que todas fossem molestadas do jeito que eu fui, e pagassem por tudo que eu sofri. 

Um fato que recordo, foi o dia que vi uma família reunida andando na rua e me enchi de ódio mesmo sem conhecê-los, e meu amigo imaginário que estava ao meu lado perguntou: “o que você quer que eu faça com eles?” e respondi: “assim como não sou feliz, aquela criança também não será”. Foram várias vezes que isso se repetia, e o que eu desejava acontecia, como por exemplo, queria que uma pessoa fosse atropelada e de repente acontecia. As crianças que me conheciam  diziam que eu era muito estranha, e tinham medo de mim. Mas não tinha paz, não conseguia dormir a noite, continuava sendo abusada, sofria muito.


Na adolescência tinha os meus sonhos como qualquer outra mocinha, ter um namorado, noivar, casar, entrar de branco na igreja, mas o “Capinha”, meu amigo imaginário, não deixava eu me aproximar de nenhum rapaz, e fazia eu ficar com desejos contrários, desejos por mulher, a única vez que poderia me interessar por homens era se ele fosse casado. Era uma moça bonita, de belos cabelos longos e boa aparência, mas não era feliz na vida sentimental, sentia um vazio imenso dentro de mim e era muito solitária. Era muita depressão para uma pessoa só, durante várias noites e até semanas ficava num quarto escuro, não saia pra nada. E por esse meu comportamento cada vez mais era rejeitada pela minha mãe, ela dizia que tinha vergonha de ser minha mãe, e só aumentava a minha mágoa, desejava que ela não existisse, e queria que ela pagasse todo sofrimento que sentia. 

Cada lágrima que eu derramava meu amigo imaginário falava que ela ia pagar, eu chorava secando as lágrimas e desejando o sangue dela. Meu amigo imaginário falava toda noite, na madrugada: “ela não gosta de você, ela prefere seus irmãos, então faz isso para provocar ela, faz aquilo que ela não gosta, faz ela pagar tudo”, e eu seguia todas as suas ordens.


Desde pequena ele deixava bem claro que eu era só dele, e se aproximava de mim e fazia coisas que eu nem entendia direito, mas me dava prazer. Ele me dava de um lado, mas estragava minha vida do outro, além disso, tinha desejos só por ele, e ele tinha duas faces, algumas vezes era como homem e outras vezes como mulher, e assim o sentia em minha cama como fosse uma pessoa normal e fazia o que queria com o meu corpo.


Consequentemente passei a ter desejos por mulheres, me vestia com roupas bem largas, cabelo preso e andava como homem.
















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