Postado por: Beatriz Lima sábado, abril 13



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Depois daquela violência que sofri, tentei contar para minha mãe, mas ela não acreditou em mim. Então não podia contar com ninguém, estava sozinha e desamparada e depois daquele dia fiquei cada vez mais fechada no meu mundo de sofrimento.

E para piorar a situação e aumentar a perturbação, passei a ter uma companhia muito esquisita, foi assim: estava sozinha no quarto e decidi pegar meus brinquedos, sentei no chão e comecei a brincar com eles. De repente, vi outra criança aparentando ter a minha idade. Tomei um susto! Ele estava de cabeça baixa, não conseguia ver o seu rosto e então se apresentou para mim: “eu sou o seu anjo de luz, vou te proteger enquanto você viver, mas não poderá ver o meu rosto”. Como eu não tinha em quem confiar, achei que seria um amigo verdadeiro, e só eu podia vê-lo. Ele apareceu no momento que eu mais precisava de alguém.

Ele passou então a controlar toda minha vida, quando conhecia uma amiguinha nova, ele nunca deixava ter amizade, era ele quem escolhia minhas amizades, e eram sempre crianças que meus pais não me deixavam brincar, porque eram rebeldes, problemáticas. Eu não queria desobedecer a minha mãe, mas o que ele falava eu tinha que obedecer.

Na escola, cada vez mais meu comportamento só piorava e na hora do recreio ficava sozinha, e meu amigo imaginário falava: “vai lá, mexe com aquele dali!” e eu ia, me esbarrava nos outros só para causar briga. Eu era pequena, magrinha, mas às vezes eu conseguia agredir quatro crianças de uma só vez e não sofria um arranhão, porque ele tava ali e dizia: “ninguém vai tocar em você, só que você não pode olhar pra mim”, e sempre jogava uma capa preta por cima de mim, alegando que era para me proteger, só que quando me dava por conta, já estava na diretoria e mesmo quando não era eu quem começava a briga, sempre levava toda a culpa, e chamavam minha mãe. 

Toda semana ia para diretoria e quase todas às vezes assinava o livro negro da escola, e era conhecida como a pior aluna do colégio. Além disso, fiquei quatro anos na 4ª série, não conseguia aprender nada, tinha as melhores professoras, mas nada entrava em minha cabeça, meu caderno ficava praticamente em branco do começo ao fim do ano, só usava uma ou duas folhas.

O que parecia ser algo bom para mim, foi mostrando que na verdade não tinha nada de bom nisso. Ele controlava os meus passos e me usava para fazer as suas vontades.
O horário preferido dele para aparecer era à noite, principalmente na hora do meu banho e sempre jogava a capa preta dele por cima de mim. Daí, comecei a chamá-lo de “Capinha”.

Se eu não seguisse o que ele falava, naquele dia dava tudo errado pra mim e o pior de tudo é que me batia na madrugada, quando eu acordava de manhã estava toda roxa e marcada que não agüentava levantar do beliche, era como que tivesse tomado uma surra mesmo, mas não via nada só sentia as dores.

Dizia que quem mandava na minha vida era ele e tinha que ser do seu jeito, e se não seguisse suas ordens, ele não iria só me agredir, mas poderia me matar.












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