Postado por: Rubens Ennes sábado, maio 12



Amor de Mãe
Conta-se que em uma pequena cidade, um incêndio ocorreu em uma casa modesta, levando-a em pouco tempo a arder em chamas. Os bombeiros foram acionados de imediato, porém sendo a estrutura da casa feita de madeira, ao chegarem ao local, não entraram, pois o risco de desabamento era iminente. Assim, concentraram-se em evitar que o fogo se espalhasse pelas casas vizinhas.

As chamas cresciam e lançavam no ar uma coluna de fumaça. Aquela ruela, usualmente calma, lotou de pessoas atônitas que observavam, espantadas, a fúria do fogo. Jatos de água eram lançados pelos bombeiros, mas, pareciam sumir evaporados no calor das chamas, sem produzir nenhum efeito.

Foi por entre este amontoado de espectadores que uma senhora surgiu gritando. E antes que alguém pudesse impedi-la, cega pela obstinação, venceu as cordas de segurança e sem sequer olhar para trás, invadiu a casa, sumindo em segundos, envolvida por toda aquela fumaça.

Vários gritos se seguiram, vindos de toda parte. Uns chamando a mulher, outros a alertar os bombeiros. Porém, a confusão já era tão grande que ninguém sabia o que fazer diante da desvairada atitude. O que teria feito àquela mulher desafiar a morte, invadindo arrojadamente aquele inferno em chamas?

O calor e a fumaça eram tão intensos que faziam todos ao redor, ainda que à distância, manterem as mãos sobre o rosto, como forma de proteção.

Pouco tempo depois, a multidão viu a mesma mulher surgindo de dentro da nuvem de fumaça, protegendo com o próprio corpo alguma coisa que trazia coberta com uma colcha branca, já completamente enegrecida pela fumaça.

Os bombeiros correram para ampará-la, e qual não foi à surpresa ao verem que envolvido naquele pano havia um bebê. Embora soluçando, o bebê parecia estar bem. Infelizmente, não se podia dizer o mesmo da senhora. A mulher tinha as mãos e parte de seu rosto atingido pelas chamas.

Por milagre, ambos sobreviveram. O bebê tornou-se uma linda menina, porém a mãe tinha um lado do rosto e as mãos completamente deformados. Sua aparência assustava, causando pavor em quem, distraído, olhasse tão horrendas cicatrizes.

Assim, aquela pobre mulher viu, ainda jovem, sua vida ser confinada à reclusão, evitando, o máximo que podia expor-se ao constrangimento que sua deformação causava. Passava os dias a costurar e assim obtinha seu sustento.

Sua filha, a quem salvara do fogo, era, portanto, tudo o que de mais precioso lhe restara na vida. Como mãe, não poupava nenhum sacrifício para mantê-la bem vestida e na melhor escola das redondezas.

Um dia, sem poder contar com ninguém que buscasse a criança, a mãe teve de ir à escola apanhar a menina. Ao se aproximar do portão do colégio, as outras crianças se espantaram com sua feiura. Quando as colegas perguntaram à menina se aquela horrível mulher era sua mãe, ela respondeu de pronto:

— Não, não! Esta é a empregada da minha mãe. Minha mãe é muito linda, não é feia como esta mulher.

Aquelas palavras atingiram fundo o coração da pobre senhora, talvez doessem mais que as chamas daquele incêndio. No caminho de volta ela não conteve as lágrimas e ao chegar a casa, disse à menina:

— Minha filha, eu sei que te sentes envergonhada, diante de suas amigas, pela mãe que tens. Quero dizer-lhe que um dia fui muito bonita até que uma tragédia atingiu minha vida. Eu havia te deixado dormindo no berço, enquanto rapidamente fui buscar o bolo do seu primeiro aniversário. Ao voltar, encontrei nossa casa em chamas e, desesperada pelo medo de te perder, corri em teu socorro. As chamas queimavam meu rosto e a fumaça ardia meus olhos. Eu te encontrei chorando no berço. De lá te agarrei em meus braços e te tirei da casa, usando meu corpo para te proteger das labaredas. Fiquei muito queimada, mas você nada sofreu. Hoje sou feia, mas este foi o preço que paguei para que você permanecesse linda.

Neste instante, a menina entendeu a dor de sua mãe e em lágrimas respondeu:

— Minha querida mãe, hoje vejo o quanto tu és bela. És para mim a mais linda de todas as mães, pois sacrificastes a tua beleza pela minha-, concluiu a jovem.

Quando Jesus foi levado à cruz pelos nossos pecados, e lá foi deixado, das nove da manhã às três da tarde, diz a Bíblia que os que O olhavam, não viam n’Ele nenhuma formosura de que se agradassem. Assim, foi desprezado e d’Ele não fizeram caso.

A cidade de Jerusalém estava cheia de judeus e gentios, que tinham vindo para comemorar a Páscoa. Todos estavam ocupados, preparando os pães asmos, as ervas amargas e o cordeiro, para celebrar a festa que há dois mil anos, tradicionalmente, se repetia.

Enquanto isso, o verdadeiro Cordeiro era abandonado sobre a cruz, nu e sangrando, com uma coroa de espinhos. E os que passavam não podiam ver que aquela “feiura” na verdade é a beleza de cada um de nós.








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